Hérnia de disco tem cura?

Hérnia de disco tem cura?

Fisioterapia
Robinson Werner
Fisioterapia
CREFITO 88897-F

A hérnia de disco é uma condição relativamente comum e pode ocorrer em toda a coluna, porém os locais mais comuns são a coluna lombar e cervical devido a maior mobilidade nessas regiões.

 

Quando nos referimos ao termo “hérnia de disco” quer dizer que a estrutura responsável por ser um “amortecedor” entre as vértebras, saiu do seu lugar habitual. Esse deslocamento do disco pode comprimir os nervos da coluna e causar dor.

 

Uma boa notícia é que a história natural da hérnia de disco mostra que a maioria dos casos cicatriza e acaba sendo reabsorvidos (diminuem) com o tempo. Esse período para a reabsorção é muito variável de paciente para paciente, podendo ser de algumas semanas até alguns meses. Trata-se de um processo natural de cura que pode efetivamente ocorrer ao longo do tempo. Em alguns pacientes a reabsorção pode demorar muito ou até mesmo ocorrer uma calcificação do disco, levando a sintomas persistentes.

 

Veja na imagem da ressonância magnética um caso de hérnia de disco lombar que foi reabsorvida em 4 meses: Observe no caso que o componente herniado (deslocado) do disco desapareceu, porém o desgaste e desidratação do disco permanecem (processo irreversível de degeneração). Esse paciente ficou completamente sem dor após a reabsorção da hérnia de disco. Não houve a realização de nenhum procedimento cirúrgico, somente tratamento conservador.

 

Como se forma uma hérnia de disco?

A hérnia de disco se forma quando ocorre uma ruptura na “capa” do disco. Essa “capa” é chamada de ânulo fibroso, sendo formado por várias fibras. Quando isto ocorre, o conteúdo (núcleo pulposo) costuma extravasar semelhante a um gel. O canal por onde passam os nervos na coluna (canal vertebral) tem espaço limitado para o conteúdo líquido e nervos. Portanto, quando o disco começa a ocupar esse espaço limitado, normalmente há compressão neurológica e dor.

 

Todos nós iremos apresentar algum “desgaste” ou degeneração do disco ao longo dos anos. Esse processo geralmente se inicia aos 20 e poucos anos de idade e progride lentamente. À medida que o disco degenera, ele “desidrata”, causando fragilidade na sua estrutura e maior suscetibilidade a ruptura e herniação.

 

Existem alguns fatores de risco que podem acelerar esse processo como: má postura, movimentos repetitivos de flexão/torção da coluna vertebral, levantamento de pesos de forma incorreta, traumatismos na coluna, fatores emocionais, psicossociais e transgeracionais.

 

 

Quais os sintomas de uma hérnia de disco?

A dor causada por uma hérnia de disco pode variar muito em intensidade e localização. Na maioria dos casos ela é sentida em apenas um lado do corpo.

Se houve lesão do disco, porém sem herniação ou deslocamento significativo, a dor costuma ficar limitada a região do disco. Como exemplo comum temos a ruptura ou fissura do ânulo fibroso (a capa do disco).

 

Nos casos em que a hérnia de disco efetivamente toca ou comprime as estruturas nervosas, geralmente a dor é referida em outro local ou até mesmo irradiada desde a coluna até a estrutura inervada pela raiz nervosa acometida. Nesses casos os sintomas mais comuns são: dor intensa na coluna com sensação de irradiação para um membro (braço, mão, perna, pé, etc), formigamentos, amortecimentos, câimbras, perda de força ou travamentos, etc.  É importante salientar que nem toda dor irradiada provém de uma hérnia de disco.

 

Como é feito o diagnóstico da hérnia de disco?

São fundamentais no diagnóstico da hérnia de disco. O relato clássico de dor na coluna com irradiação para um braço ou uma perna associado a alguma alteração de sensibilidade ou alteração motora sugere fortemente o diagnóstico. É claro que existem muitos diagnósticos diferenciais que devem ser excluídos, daí a importância de uma avaliação bem detalhada.

Para auxiliar o diagnóstico, os principais exames realizados são: radiografias e ressonância magnética. Esses exames são não invasivos e permitem o diagnóstico na maioria dos casos.

 

O tratamento para a hérnia de disco é efetivo?

Cerca de 90% dos casos de hérnia de disco melhoram e efetivamente se resolvem com o tratamento clínico/conservador, sem cirurgia. Um estudo realizado nos Estados Unidos, com cerca de 2000 pessoas, divididas em dois grupos (A) Cirurgia X (B) Fisioterapia + Orientações + Medicamentos, concluiu que ao final de 3 a 6 meses, ambos os grupos apresentavam melhoras significativas dos sintomas. O mais importante é que esse estudo comprovou que não há urgência em operar a hérnia de disco quando ela realmente existe. Em grande parte dos pacientes, ela desaparece com tratamentos clínico-conservadores e, em muitos casos de cirurgia da hérnia, a dor é reincidente depois de 2 a 3 anos.

 

A base do tratamento que utilizo com meus pacientes é a INDIVIDUALIDADE. Partindo desse princípio, vamos à busca da causa de seu sintoma, e para isso, utilizo de uma variedade de técnicas.