Por que fazer análise ou terapia?

Por que fazer análise ou terapia?

Psicologia
Mauri da Silva
Psicologia
CRP 12/01724

As razões são muitas. De modo geral, pode-se dizer que é para compreender um sentimento, um estado emocional ou comportamento e a partir disso, mudar. Isso mesmo mudar!

Não devemos ter medo de mudanças; elas são necessárias, saudáveis e benéficas em nossas vidas.

A mudança normalmente nos faz pensar, repensar e as vezes nos paralisa, embora sabendo que precisamos enxergar o mundo, compreender uma emoção ou sentimento através de um outro ponto de vista. Muitas vezes tentamos achar um culpado ou responsável pelo nosso mal-estar e não enxergamos que estamos terceirizando aos outros nossos problemas. É difícil olhar para dentro de nós mesmos e depararmos com fantasmas, angústias, traumas, frustrações e sair desse mergulho sem nenhum prejuízo.

Todos temos traços de personalidade não aceitos, obscuros, inferiores que fazem parte da psique de cada um de nós. É isso que o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) chamou de “sombra”. Usamos de vários recursos para não confrontarmos com nossa “sombra” e um desses mecanismos de defesa é a projeção.

Projetamos o problema no outro, que em geral é nosso esposo, esposa, namorado, namorada, filho, filha, amigos e assim, o que nos incomoda, está projetado na outra pessoa e consequentemente não percebemos que somos responsáveis pelo o que acontece ao nosso redor.

Os mecanismos de defesa são “recursos” que a nossa mente desenvolve para nos proteger de algum perigo real ou imaginário, estão presentes em todos nós e são saudáveis, até certo ponto. Existem vários mecanismos de defesa e cada um tem uma finalidade específica na manutenção da nossa saúde psíquica. É nesse momento que precisamos do analista para nos ajudar nesse mergulho. Sozinhos não conseguimos fazer uma investigação sobre nós mesmos. O analista é um facilitador desse processo de autoconhecimento.

Quando precisamos fazer uma autorreflexão mais minuciosa, normalmente nos deparamos com nossos receios, medos, dúvidas, frustrações, e sem nos dar conta, surgem em nossa mente vários mecanismos de defesa na tentativa de nos afastar dos fatos que nos atormentam.

O ser humano naturalmente tende a negar as situações que lhe causam dor e sofrimento, fazendo de conta que não há nada, que está tudo certo e sob controle. Esse outro recurso (mecanismo de defesa) que usamos para não enfrentar o problema chama-se negação. Normalmente, quando não nos sentimos preparados para enfrentar uma situação de desgaste, “fechamos os olhos” para o assunto sem nos dar conta que o problema continua e não foi sanado.

Por isso, toda mudança necessita de um grau de desapego e novamente surgem as resistências. É preciso estar consciente que se as mudanças não forem feitas, você só muda os personagens e o jogo permanece o mesmo. Enfrentar a realidade é o primeiro passo. Mas é preciso coragem e disposição porque vai ter também de encarar uma mudança e toda mudança implica em perdas, mas também geram ganhos logo ali na frente.

Quem sofre deve se tratar, mesmo quando parece não ser culpado ou responsável direto. Conhecer sua “sombra” é importante e isso lhe trará autoconhecimento.