AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA EM IDOSOS

AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA EM IDOSOS

Psicologia
Patricia Bedin
Psicologia
CRP 07/08574
O envelhecimento da população é um fenômeno mundial que tem consequências diretas nos sistemas de saúde pública. O envelhecimento revela mudanças no indivíduo em seus aspectos psicológicos, sociais, físicos, neuropsicológicos e no ambiente que o cerca. Tendo alta incidência no idoso, a depressão e as demências, podem trazer déficits de cognição, de memória, linguagem, funções executivas, além de gnosias e praxias, interferindo na autonomia, no desempenho social ou profissional do indivíduo. Do ponto de vista da saúde, destacam-se as mudanças significativas no quadro de morbimortalidade, isto é, redução da incidência e morte por doenças infectocontagiosas e aumento da incidência e morte por doenças crônico-degenerativas típicas de idades mais avançadas.
O ingresso na faixa etária considerada idosa traz muitas mudanças ao ser humano. No caso do cérebro, ocorrem modificações morfológicas. O cérebro do indivíduo idoso, em média, é menor e tem menos peso do que o de uma pessoa jovem. Alguns giros são mais finos e separados por sulcos mais profundos e abertos, resultando menor espessura das regiões corticais. Nota-se diminuição do número de neurônios e sinapses, além da existência de sintomas psicológicos e físicos como os lapsos de memória, menor velocidade de raciocínio, episódios passageiros de confusão, tremor, dificuldade de locomoção, insônia noturna com sonolência diurna e falta de equilíbrio . As definições amplamente aceitas da demência nos idosos abrangem déficits no âmbito social, ocupacional, em funções cognitivas e em atividades instrumentais da vida diária . A demência é uma condição que se caracteriza pelo declínio da memória associado a déficit de, pelo menos, uma outra função cognitiva (linguagem, gnosias, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no desempenho social ou profissional do indivíduo. Uma das características da demência é que interfere de forma significativa na capacidade funcional do paciente no dia a dia.
A importância da Avaliação Neuropsicológica das demências é traçar o perfil cognitivo, para melhores intervenções. A realização da Avaliação Neuropsicológica pode ser um instrumento útil na avaliação global do paciente idoso, permitindo aos médicos  obterem informações que subsidiem tanto o diagnóstico etiológico do quadro em questão quanto o planejamento e execução das medidas terapêuticas e de reabilitação a serem realizadas em cada caso.
As baterias Neuropsicológicas constituem-se em sequências de testes que avaliam o comportamento e a cognição, podendo ser padronizadas  e/ou flexíveis de acordo com a necessidade. São importantes para o estabelecimento de perfil cognitivo basal antes, durante e depois de tratamentos, bem como colaboram para o diagnóstico diferencial em condições que envolvam prejuízo cognitivo.
Frequentemente, as manifestações iniciais do comprometimento cognitivo leve, consistem em disfunção da memória de trabalho, geralmente leve, e em diminuição da capacidade de memória de curta duração. É importante lembrar que não se deve confundir amnésia senil com a tendência das pessoas idosas a relembrar memórias antigas em detrimento das mais recentes, já que há, muitas vezes, a preferência de evocar fatos da infância ou juventude, em que se sentiam mais fortes, felizes e belos. Deve-se considerar o fato de o diagnóstico etiológico da demência é baseado em exames laboratoriais e de neuroimagem, além da constatação de Perfil Neuropsicológico característico. Esse aspecto é particularmente importante para o diagnóstico diferencial das demências degenerativas, DA (Doença de Alzheimer), a DCL (Declínio Cognitivo Leve) e a DFT (Declínio Frontotemporal). Nesse sentido, cita-se também a necessidade de se extremar as precauções para um diagnóstico correto da depressão nos idosos e não confundi-la com o simples comprometimento cognitivo leve ou com as fases iniciais de uma demência.
A Avaliação Neuropsicológica detalhada é recomendada especialmente nos estágios iniciais de demência, além disso, este procedimento fornece dados relativos ao perfil das alterações cognitivas, especialmente úteis para o diagnóstico diferencial. Outro importante fator a ser considerado na Avaliação Neuropsicológica é a possível interferência de algumas variáveis no critério diagnóstico, como a idade do paciente, o gênero e a escolaridade. Também há outros fatores associados, a serem considerados, ao risco maior ou menor, como os genéticos, traumatismo de crânio e doença vascular. 
Uma das vantagens da Avaliação Neuropsicológica  é que ela permite uma diferenciação sindrômica entre depressão e demência em pacientes idosos .
O diagnóstico de demência exige a constatação de deterioração ou declínio intelectual em relação à condição prévia do indivíduo. A comprovação do diagnóstico de demência depende de avaliação objetiva das funções cognitivas.
Tendo em vista o resultado da Avaliação Neuropsicológica, é possível considerar uma intervenção reabilitadora. A reabilitação cognitiva foca-se nas funções cognitivas deficitárias e visa à melhora da condição do paciente, tanto no âmbito neuropsicológico como da qualidade de vida.