ANSIEDADE: Até que ponto é saudável?

ANSIEDADE: Até que ponto é saudável?

Janice B. Mezacasa Cavalini
Psicologia
CRP 07/12545

Em tempos de trabalho excessivo e preocupações constantes com o presente e o futuro, muito se fala sobre ansiedade. No entanto, até que ponto conhecemos a profundidade deste sentimento e suas implicações na vida cotidiana?

            A ansiedade é um fator que transpassa toda a evolução humana, já que é graças a ela que as pessoas aprenderam a ser mais cautelosas tanto quanto às atitudes corriqueiras quanto aos fatos mais importantes. Sendo assim, ansiedade não é doença, mas faz parte de nosso sistema de defesa. Já dizia Sigmund Freud que “ansiedade é o medo de algo incerto, sem objeto.” Esse medo é essencial para o entendimento da ansiedade, que consiste em nada mais nada menos do que um receio do que está por vir.

            O temor, quando em doses moderadas, traz benefícios à vida humana, pois nos ajuda a agir com moderação, sem assumir riscos muito grandes. Tanto é que pesquisas indicam que aqueles mais ansiosos perdem menos dinheiro em investimentos incertos – é a apreensão que manda não arriscar em demasia. Entretanto, é necessário estabelecer um limite: quem nunca sofreu um branco em uma prova importante, ou padeceu de insônia na noite anterior à resolução de um problema?

            Pequenas preocupações podem gerar proporções exageradas e tomarem a forma de sintomas físicos ou psicológicos, como, por exemplo, falta de ar, taquicardia, suor em excesso, insônia, irritabilidade, tristeza. Quando estamos ansiosos, nosso corpo se prepara da mesma forma que em uma situação de medo; o problema é que, na ansiedade, o perigo não está naquele momento, mas, sim, no futuro e então o organismo se desgasta sem necessidade.

            A barreira entre a ansiedade normal, sadia, e a patológica é muito tênue. Essa questão dificulta a percepção de quando é preciso procurar ajuda profissional. Ainda assim, pode-se dizer que a ansiedade passa a não ser saudável quando começa a dificultar a vida cotidiana da pessoa.

            A partir do momento em que a apreensão se torna maléfica, ela pode vir a se agravar em uma das muitas patologias psicológicas, como a síndrome do pânico, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), as fobias, o estresse pós-traumático, a ansiedade generalizada.

Mesmo que esses transtornos possam ter como base principal a ansiedade, sempre é bom buscar o acompanhamento profissional, que poderá disponibilizar o diagnóstico e o tratamento correto. Não somente as patologias graves podem ser trabalhadas em terapia, mas também aquelas ansiedades comuns que, porventura, incomodam ou prejudicam o indivíduo.

            O mundo atual coloca a nossa disposição cada vez mais possibilidades, agravando o sentimento de ansiedade, o qual pode surgir devido a coisas simples como a realização profissional, a pressão externa por um modelo de vida. Essa situação é ainda pior nas mulheres, que sofrem mais com a ansiedade devido a dois fatores: o hormonal e o social. As pessoas do sexo feminino produzem determinadas substâncias irregularmente, tornando-as mais sensíveis em determinados períodos, como a TPM, por exemplo. No âmbito social, meninas são ensinadas que expressar seus sentimentos com maior intensidade, o que as leva, por vezes, a senti-los mais intensamente também.

            O importante, frente a todas as angústias do mundo moderno, é saber equilibrar os sentimentos de maneira saudável, e não ter receio em procurar ajuda quando ela se torna necessária.


Clínica Jeito de Ser
JaniceM.Cavalini| Psicóloga | CRP 07/12545
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