PERDA AUDITIVA EM IDOSOS

PERDA AUDITIVA EM IDOSOS

Fonoaudiologia
Tamara Lima da Silva
Fonoaudiologia
CREFa7-10086
A velhice é algo natural e irreversível e, com o passar dos anos, as pessoas sofrem mudanças, tanto nos aspectos biológico, como social e psicológico. Este processo consiste na deterioração lenta e progressiva das funções orgânicas, que pode ou não ser imprescindível à manutenção da vida.

A surdez no idoso é causada pela perda de audição natural que ocorre com o envelhecimento; esta alteração é chamada de presbiacusia, que consiste na perda progressiva da audição em ambos os ouvidos ao longo da vida. Esta perda de audição também pode ser acompanhada de zumbido, vertigem e desequilíbrio.

Normalmente começamos a perder a audição pelas frequências agudas (sons mais finos), após frequências médias e então as graves. Nos casos de perda auditiva por conta do envelhecimento, a presbiacusia é capaz de captar os sons graves perdendo informações agudas onde se concentram fonemas como os da letra “s”, “x” e “v”, por exemplo. Sendo assim, nós conseguimos ouvir a voz, mas não entendemos o significado das palavras por perder parte da informação auditiva.
É muito comum que as pessoas que comecem a apresentar sinais de perda auditiva, seja de grau leve ou moderado, tenham a queixa de que escutam, mas não entendem o que outras pessoas dizem. Além disso, é comum que o indivíduo ouça somente parte das palavras dificultando a compreensão do que foi dito.
Dependendo do ambiente que a pessoa está inserida, isso acaba dificultando ainda mais. Quando a pessoa, o idoso está em um ambiente silencioso, com apenas uma outra pessoa conversando, a compreensão se dá mais facilmente. Já em ambientes mais barulhentos ou em locais com várias pessoas falando ao mesmo tempo, a compreensão da fala é muito mais difícil.
A maioria dos idosos encaram algum grau de perda auditiva como inevitável e não tratável. Entretanto, a presbiacusia quando não reconhecida e tratada pode levar a isolamento social progressivo e depressão, principalmente se o paciente também tiver outras limitações funcionais, como dificuldade para andar ou déficits visuais.
A mudança comportamental do idoso com perda auditiva faz parte da observação de alguns familiares. Eles relatam reações, como impaciência, falta de colaboração, distração e mau humor. Nesse sentido, é importante considerar que a perda da audição provoca uma confusão no entendimento e desorganização da fala. Essas alterações causam desmotivação, insegurança e baixa autoestima, podendo levar à depressão e ao isolamento.
Segundo um estudo da Faculdade de Medicina Johns Hopkins, dos Estados Unidos, a perda auditiva pode favorecer o desenvolvimento de demência em idosos. A pesquisa diz que, a cada dez decibéis perdidos de audição, os riscos de desenvolver a doença aumentam em 27%. Ou seja: quanto mais grave o quadro de perda auditiva do paciente, maiores as chances de que ele desenvolva demência. Além disso, o estudo também mostra que essa pode ser uma consequência do não tratamento da perda de audição.
A demência ocorre justamente diante de uma perda da função cerebral e diante de alterações da cognição. O principal exemplo de demência, e a mais frequente na população, é a doença de Alzheimer, sendo que seus principais sintomas são: dificuldade de raciocínio e perda de memória.
O cérebro é o órgão responsável pela nossa capacidade de ouvir. É ele que recebe os sons advindos do ouvido e, então, interpreta-os, transformando-os em significado.  Quando há sinal de perda auditiva é porque esses sons deixaram de chegar ao cérebro. Diante da falta de estímulo sonoro, essa perda auditiva impactará, a longo prazo, em um declínio na capacidade cognitiva do paciente, em uma dificuldade de aprendizagem e no encurtamento de suas atividades cerebrais. E é exatamente nesse momento que algumas doenças, como a demência, podem surgir.
O aparelho auditivo é um dos tratamentos mais indicados para a perda auditiva. O dispositivo devolve ao usuário a capacidade de ouvir com excelente qualidade sonora. Os aparelhos auditivos atuais são desenvolvidos com tecnologia de ponta, por isso são considerados “microcomputadores”. Algumas tecnologias permitem até conectar o aparelho auditivo diretamente ao celular, tablet e televisão.
Por mais que seja necessário um período para que a pessoa se acostume com o uso do aparelho, é possível encontrar modelos extremamente confortáveis, muito eficientes e totalmente discretos, seja pelo seu tamanho diminuto ou cor da pele.
O uso do aparelho auditivo pode retardar e até prevenir o desenvolvimento da demência, pois o cérebro voltará a receber estímulos sonoros, evitando ou diminuindo o declínio cognitivo, além de permitir que o paciente conviva em sociedade.
Todo o processo de escuta do idoso também está diretamente ligada à capacidade de percepção sonora. Ou seja, ele precisa identificar não somente os sons graves e agudos, mas também identificar de onde vem o som ou mesmo a presença de ruídos. Isso vai fazer com que possa ter uma melhor orientação espacial, inclusive na rua.
A adaptação ao aparelho auditivo não acontecerá do dia para noite, pois como o cérebro perdeu o estímulo sonoro, ele precisa de um tempo para adaptar-se novamente. Nesse momento, a persistência é fundamental para garantir o sucesso da reabilitação auditiva.
Para ajudá-lo nessa adaptação, é possível contar com um programa de acompanhamento de aparelhos auditivos, no qual o paciente passará por algumas consultas com o fonoaudiólogo.

Se você sente ou conhece alguém com dificuldades para entender o que é falado ou ouvir, procure um médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo para uma avaliação auditiva. A adaptação precoce de um aparelho auditivo e estimulação do processamento auditivo estimulam o cérebro e auxiliam na prevenção de demência.