A CRIANÇA FERIDA!

A CRIANÇA FERIDA!

Psicologia
Quécili Lódi
Psicologia
CRP 08/26379

Toda criança, sem exceção, sentiu-se ferida em algum momento da infância. Sim, todas. Entendo que pais e mães sofrem quando ouvem isso, mas costumo dizer que faz parte da evolução e da missão de vida de cada um. É realmente inevitável.

Seja a criança provinda de famílias funcionais ou não, com traumas mais profundos ou com infâncias bastante saudáveis, em algum momento ela registrou e interpretou determinado evento (ou eventos) de forma negativa, causando-lhe dor e gerando uma ferida central.

O amor não foi sentido de forma plena, o suporte esperado não veio, a proteção necessária não lhe foi dada, a inclusão não aconteceu… Isso gera então sentimentos de insignificância, de incapacidade, de não merecimento, de desamor. E diversos bloqueios se desenrolam a partir daí.

Crescemos e desenvolvemos estratégias para suportar a dor sentida e para nos proteger de novas reincidências:

• A criança que registrou severas críticas ou uma disciplina rígida na infância, e passa a incorporar um severo crítico interno. Assim ela mesma se critica – incessantemente – acreditando que dessa forma pode se proteger das críticas externas.

• A criança que registrou que o amor não vinha gratuitamente, e passa a acreditar que precisa “comprar” o amor dos outros, modelando seus comportamentos e atitudes na busca incessante por agradar os outros e assim ser amada.

• A criança que registrou uma dubiedade na figura de autoridade, ora percebendo-a de forma amorosa, ora percebendo-a de forma excessivamente dura e insensível, e passa a desenvolver um senso de desconfiança exagerado com tudo e com todos. .

• A criança que registrou um abuso de sua inocência (seja através de abusos verbais e/ou físicos) e passa a criar uma máscara superprotetora de “eu sou forte”, testando os outros através de sua força. Ou ainda desenvolve outra proteção com a máscara de “eu não sinto”, bloqueando o acesso aos sentimentos e desenvolvendo prioritariamente as capacidades mentais.

Entre outras feridas/registros e formas de interpretação que geram, por consequência, estratégias diferentes de bloqueio e proteção para sobreviver no mundo adulto.

Os traumas podem ser severos algumas vezes, mas tenho percebido em meu trabalho que, independentemente da profundidade do trauma e do registro que ele deixou, o desenrolar dos bloqueios acontece inevitavelmente. Bloqueios que nos causam dor, que nos trazem problemas de relacionamento, nos travam a fluidez da vida e surgem nos momentos mais inoportunos ou na hora das decisões mais difíceis.

Vasculhar essa infância causa medo, às vezes pavor! “Não quero remexer nisso, não quero sentir isso de novo”, ou ainda tentamos racionalizar “Eu não tenho nada a ser trabalhado”. Mas enquanto não nos dispusermos a esse retorno, manteremos nossa criança ferida lá, sozinha num quarto escuro, abandonada, chorando e sentindo a dor que estamos, arduamente, tentando evitar.

Se nós sobrevivemos na infância com bem menos recursos do que temos hoje, se conseguimos crescer e encontrar estratégias – nem sempre saudáveis – de sobrevivência, é claro que seremos capazes hoje de revisitar esse porão onde deixamos nossa criança.

Reencontrá-la, acolher a sua dor, oferecendo-lhe o amor que ela necessita é nossa função prioritária e mais ninguém pode suprir isso.

HÁ CRIANÇAS FERIDAS ESCONDIDAS EM ADULTOS “DIFÍCEIS”

 

Espaço Ser Clínica Integrada

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Psicóloga Quecili Lodi

CRP 08/26379

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Psicóloga Gisele Braga

CRP 08/29635

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